Em meio às incertezas de 2022, com pandemia, inflação e eleições no radar, muitos investidores têm priorizado a segurança, em detrimento de ativos mais arriscados.
Quando se fala em pagamento de dividendos, é praticamente um consenso entre analistas que as melhores ações para o investidor escolher são as de empresas que operam nos setores bancários e de energia.
Primeiramente, estes são os setores menos voláteis da economia, o que indica receitas mais estáveis e previsíveis.
O segundo fator que contribui para os elevados pagamentos de dividendos é o fato das empresas destes setores já estarem bem consolidadas.
Como consequência, elas precisarão fazer menos investimentos para se manterem firmes em seus negócios. Isso o que permite liberar partes maiores dos lucros para serem distribuídos na forma de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).
A seguir, temos quatro ações de empresas com um bom histórico de pagamentos de dividendos e que devem se manter assim no ano de 2022.
A companhia, um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil, tem um histórico de bons resultados nos últimos anos.
“Ela conseguiu manter uma estabilidade positiva em sua receita líquida – o que demonstra a resiliência de seu modelo operacional e do setor de transmissão de energia, mesmo em momentos mais difíceis da economia – e elevou sua margem líquida de 48% para 81%, com uma margem Ebitda estável próxima a 80% (maior Ebitda do setor de transmissão)”, afirma o BTG Pactual.
Outra virtude destacada pelo banco é a disciplina financeira da companhia. “Ela tem rígido controle de custos, a mais alta nota de crédito nas três agências de classificação de risco e uma alta diligência no processo de alocação de capital, buscando sempre bons projetos com alta rentabilidade.”
Além disso, a eficiência operacional é outro fator que vem garantindo uma sólida geração de caixa e bons pagamentos de dividendos ao longo dos anos.
Para a Genial Investimentos, o atual nível de preços da Taesa reflete a situação da empresa, e, por isso, colocou recomendação neutra para as ações da companhia.
Porém, para o investidor que busca estabilidade e renda com dividendos, o ativo pode ser interessante para compor a carteira. Nos últimos 12 meses, a TAEE11 apresentou um dividend yield de 12,98%.
O Banrisul é um banco estatal, com maioria das ações pertencentes ao governo do Rio Grande do Sul.
A instituição possui grande relevância na região, com 47% de participação em depósitos a prazo, sendo o 6º maior banco brasileiro em agências, apenas atrás dos cinco grandes (BB, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander).
Outro fator positivo é que a diretoria vem implementando um processo para equilibrar a carteira de crédito, o que tem contribuído para manter a inadimplência sob controle, com crescimento sólido da carteira e os segmentos de varejo sustentando as margens.
Para o time de analistas da XP Investimentos, a recomendação para o Banrisul é de compra, com preço alvo de R$ 19,00. Isso representa um ganho potencial de 90,76% em relação ao preço atual.
“Temos recomendação de Compra para o Banrisul com base no alto potencial de crescimento de lucro. Isso porque o banco normalizou a inadimplência e possui espaço para expandir a carteira e aproveitar as oportunidades de fidelização de clientes.”
Em relação aos dividendos, as ações do banco (BRSR6) apresentam um dividend yield de 10,15% nos últimos 12 meses. Valor este que deve se manter, dado o histórico constante de pagamentos, com payout médio de 40,39%.
A ISA Cteep (TRPL4) é a maior empresa privada de transmissão de energia do setor elétrico brasileiro e faz parte do Sistema Interligado Nacional (“SIN”).
Isso significa que a empresa está presente em um sistema que engloba toda a rede elétrica brasileira, atendendo a aproximadamente 99% da carga total do sistema, tornando a empresa resiliente frente às variações regionais de demanda por energia.
Com suas atividades e de suas empresas controladas e coligadas, presentes em 17 estados do País, a CTEEP transmite aproximadamente 25% de toda a energia elétrica do Brasil.
No geral, a CTEEP é uma ótima opção para o investidor focado em obter dividendos. É uma empresa com sólida geração de caixa e estrutura de receita fixa do negócio, reajustada anualmente com índices de inflação.
Além disso, a CTEEP recebe elevados fluxos de caixa como indenizações relacionadas a ativos não amortizados existentes até maio de 2000 (denominados RBSE).
Isso permite a companhia manter um fluxo contínuo e estável de pagamento de proventos.
Nos últimos 12 meses, as ações da TRPL4 apresentaram um dividend yield de 17,36%, o que torna a ação uma das maiores pagadoras de dividendos da bolsa brasileira.
Para o Banco Safra, o preço atual do ativo já contempla todos os eventos e, por isso, a recomendação é de neutra, com preço alvo de R$ 26,20.
A Copel é uma empresa estatal de energia elétrica, controlada pelo Governo do estado do Paraná.
Seus principais negócios são distribuição de energia (atendendo 4,6 milhões de consumidores no Paraná) e geração e transmissão (com capacidade total de 6,3GW e 6,6 mil km de linhas de transmissão).
Além disso, a empresa também atua no segmento de telecomunicações e tem participação na Compagas, de distribuição de gás natural.
A principal justificativa para o investimento nesta ação, segundo analistas do Itaú e XP, é que as ações da Copel estão sendo negociadas com um grande desconto em relação aos seus pares.
Em relação aos dividendos, o Itaú afirma que “a política de dividendos da companhia depende do nível de alavancagem”, e que, dado a situação atual, há “espaço para um anúncio significativo de dividendos nos próximos meses”.
Nos últimos 12 meses, a CPLE6 apresentou um dividend yield de 23,63%.
O Itaú indica recomendação de compra para CPLE6, com preço-alvo de R$ 7,40, o que indica 15% de potencial de ganho para o investidor, em relação ao preço de hoje (10/12).
A XP também tem recomendação de compra para o ativo, com preço-alvo de R$ 8,00.
Tales é Doutor em Economia pela UFRGS. Realiza pesquisas sobre economia institucional, macroeconomia, mercado financeiro, economia brasileira e desenvolvimento econômico, além de trabalhar com cursos de educação financeira.