Como já esperado, as últimas decisões do governo federal foram vistas da pior forma possível pelos agentes do mercado.
Os aumentos de gastos anunciados para a implementação do novo programa social e do auxílio aos caminhoneiros colocam em xeque a credibilidade da política fiscal do governo Bolsonaro.
Isso porque, para financiar os novos programas, será preciso furar o teto de gastos públicos.
Dessa forma, os receios do mercado com a inflação, câmbio, juros e o crescimento do PIB refletiram instantaneamente, na semana passada, na curva de juros dos títulos de dívida do Tesouro e no Ibovespa.
Já no início desta semana, o mal humor dos mercados segue representado pelos dados divulgados no relatório Focus, divulgado pelo Banco Central em todas as segundas-feiras.
IPCA e PIB
De acordo com o relatório, as expectativas dos agentes para as variáveis macroeconômicas deste e do próximo ano pioraram significativamente.
Para o IPCA de 2021, as estimativas passaram de 8,69% para 8,96%, enquanto há 4 semanas estavam em 8,45%.
O cenário ruim também contaminou as expectativas para o ano que vem, visto que a expectativa de inflação foi de 4,18% para 4,4%.
Sobre o PIB, os economistas consultados pelo BC pioraram suas projeções de crescimento, de 5,01% para 4,97%, enquanto há quatro semanas estava em 5,04%.
Para 2022, a estimativa de também caiu, de 1,5% para 1,4%.
Selic
A guinada populista de Bolsonaro e sua equipe econômica elevou as atuais expectativas da taxa Selic no fim do ano, de 8,25% para 8,75%.
Inclusive, muitos analistas já estimam um maior aumento da taxa básica de juros nesta próxima reunião do Copom.
Na reunião desta semana, é esperada uma alta de 125 pontos-base, acima de 1 ponto percentual prometido pelo Copom no comunicado da última reunião.
A expectativa é de uma alta para 7,5% (antes para 7,25%), de 6,25% atualmente.
Essa mudança de perspectiva já vinha sendo observada há algumas semanas, como mencionado na semana passada.
Por fim, temos o dólar, cujas apostas se elevaram consideravelmente para o fim deste ano, de R$ 5,25 para 5,45. Há quatro semanas a estimativa estava em R$ 5,20.
Para o ano que vem, as estimativas também saltaram de R$ 5,25 para R$ 5,45.
Apesar da deterioração das expectativas, o Ibovespa amanheceu com forte alta, de 1,37%, às 10h45, embora isso seja mais um sinal de correção das quedas da semana passada do que necessariamente uma recuperação.
