Os valores do brent e do WTI mais do que dobraram desde o colapso econômico provocado pela pandemia da Covid-19.
No geral, os investidores e especuladores no mundo todo vêm apostando na manutenção dos desequilíbrios estruturais, que jogam a oferta da commodity para patamares abaixo da demanda global.
O descompasso entre oferta e demanda é provocado principalmente pela crise energética. Os crescentes preços do gás natural na Ásia estão levando os consumidores e industriais a comprar mais petróleo para uso na geração de energia.
Desequilíbrio entre oferta e demanda
Do lado da demanda, temos a recuperação das principais economias após as políticas expansionistas e a gradual queda das restrições à mobilidade, na medida em que os números de mortes e contágios pela Covid-19 vão diminuindo.
Já do lado da oferta, temos que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, grupo conhecido como Opep+, têm mantido a cautela em aumentar a oferta no mercado internacional.
A justificativa é que há ainda receio em relação a possíveis cortes na produção dos países, como ocorreram durante as fases iniciais da pandemia.
Segundo o Ministro da Energia da Arábia Saudita, Príncipe Abdulaziz bin Salman, em entrevista concedida à Bloomberg Television, na segunda-feira, a Opep+ deve manter a sua abordagem cautelosa, dada a ameaça que a pandemia ainda representa para a demanda.
A teoria do déficit de oferta no mercado de petróleo vem de longa data.
Desde o colapso dos preços em 2014, vários analistas têm argumentado para a possibilidade de a demanda superar a produção como resultado do subinvestimento.
No geral, há um apetite cada vez menor dos investidores para financiar atividades ligadas à exploração e refino de combustíveis fósseis.
Os maiores bancos franceses, por exemplo, disseram que vão limitar o financiamento da indústria de xisto e de gás natural a partir do início do ano que vem.
A mesma dificuldade foi encontrada no Equador. Inclusive, neste caso, o país teve que dobrar a quantidade de bancos que poderiam fornecer garantias de crédito, pois instituições financeiras têm evitado financiar petróleo extraído da Amazônia.
Estimativas para o petróleo
As estimativas em relação ao futuro do preço do petróleo são bastante diversas.
Entre os bancos que projetam preços mais altos por mais tempo está o Goldman Sachs. O banco norte-americado prevê que o barril do brent se mantenha acima dos US$ 85 até 2023.
Ainda de acordo com o banco de investimento, a recuperação da demanda global, ajudado pela recuperação do consumo na Ásia após a recente onda de Covid-19 causada pela variante delta, pode forçar os preços do petróleo Brent acima dos US$ 90 por barril.
Outras instituições mantém uma previsão mais baixa para o preço da commodity.
O Morgan Stanley aumentou sua estimativa de longo prazo em US$ 10, para US$ 70 na semana passada. Já o BNP Paribas calcula uma cotação de cerca de US$ 80 até 2023.
Por fim, há aqueles que acreditam que o patamar atual da cotação do petróleo é insustentável. É o caso do Citygroup, que afirmou em relatório este mês que o preço do barril deve se manter entre US$ 40 e US$ 55 no longo prazo.
